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sexta-feira, 31 de julho de 2009

O TEMPO E O VENTO- Érico Veríssimo

Leitura muito interessante à deste livro do escrito gaúcho. Questões históricas relacionadas a conflitos entre castelhanos e portugueses, estabelecimento das fronteiras no Rio Grande do Sul, Sepé Tiaraju, maragatos, chimangos, enfim várias expressões culturais do Estado vizinho estão expressas nesta obra.
Algumas passagens:
Há uma passagem em que o chefe moral de Santa Fé, Ricardo Amaral, destaca sua passagem por Porto Alegre, pelo Palácio do Governador (p. 135).
- Imaginem só! Eu em minha casa no Palácio! Bom. Tomei assento e então conversei sobre coisas de nosso município. Fui mui franco, porque não sou como quero-quero que canta pra um lado e tem ninho pra outro. Dissimulação não é comigo. “General – eu disse – as coisas vão mal assim como estão...”
Em outra passagem, do título Um certo Capitão Rodrigo (p.172,173), Rodrigo Cambará chega a Santa Fé e assim se sucede:
[...] Apeou na frente da venda do Nicolau, amarrou o alazão no tronco dum cinamomo, entrou arrastando às esporas, batendo na coxa direita com o rebenque, e foi logo gritando assim com o ar de velho conhecido;
- Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!
Havia ali uns dois ou três homens, que o miraram de soslaio sem dizer palavra. Mas dum canto da sala ergueu-se um moço moreno, que puxou uma faca, olhou para Rodrigo e exclamou:
- Pois dê!
Os outros homens afastaram-se como para deixar a arena livre, e Nicolau, atrás do balcão, começou a gritar:
- Aqui dentro não! Lá fora! Lá fora!
Rodrigo, porém, sorria imóvel, de pernas abertas, rebenque pendente do pulso, mãos na cintura, olhando para o outro com um ar que era ao mesmo tempo de desafio e de simpatia.
- Incomodou-se amigo?- perguntou-lhe jovial, examinando o rapaz de alto a baixo.
- Não sou de briga, mas não costumo agüentar desaforo.
- Oôi bicho bom!
Os olhos de Rodrigo tinham uma expressão cômica.
- Essa sai ou não sai?- perguntou alguém do lado de fora, vendo que Rodrigo não desembainhava a adaga. O recém-chegado voltou à cabeça e respondeu calmo;
- Não sai. Estou cansado de pelear. Não quero puxar arma pelo menos por um mês. – Voltou-se para o homem moreno e, num tom sério e conciliador, disse: Guarde a arma amigo.

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