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segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Bom dia alunos aos 8os anos da EBM Jardim do Lago
As 5 postagens na sequência e mais a postagem mais popular (sobre Cuzco) servem como ferramenta ao conteúdo atual da Geografia dos 8os anos. Estamos estudando a América Andina e na sequência a América Platina.
De moto pela América do Sul
Livro:
De Moto Pela América do Sul - Diário de Viagem - 2ª Ed. 2003
Autor: Guevara, Ernesto Che
Editora: Sa Editora
Categoria: Literatura Estrangeira / Biografias e Memórias
Filme:
Título original: (The Motorcycle Diaries)
Lançamento: 2004 (EUA)
Direção: Walter Salles
Atores: Gael García Bernal, Susana Lanteri, Mía Maestro, Mercedes Morán.
Duração: 128 min
Gênero: Drama
Status: Arquivado
Contada quase sempre na primeira pessoa e em discurso indirecto, Ernesto (Che) Guevara, descreve em forma de apontamentos de viagem, a sua travessia da América do Sul numa motocicleta, durante aproximadamente os nove meses que irá decorrer esta sua primeira viagem fora da Argentina, ele irá não somente admirar as belas paisagens da região, mas também terá os primeiros contactos directos com a miséria dos seus habitantes. A acção decorre durante o ano de 1952 e ?Che? tem 23 anos quando começa a viagem. Irá festejar o 24º aniversário, a 14 de Junho, em plena selva peruana na companhia de um grupo de leprosos.Com descrições algumas vezes em tom jocoso, outras com apurado espirito critico, vamos acompanhando os aventureiros: um estudante de medicina e um bioquímico, na sua caminhada para o norte. Pelo Chile, Peru, Brasil (acidentalmente) , Colômbia e Venezuela, onde acaba a aventura para Alberto que aí se queda trabalhando por algum tempo. Já sem a companhia deste, Che Guevara consegue uma passagem de avião para Miami, onde acaba por ser preso e recambiado para a Argentina, ( ver ?Os meus anos com o Che, da Guatemala ao México? de Hilda Gadea).? E se fossemos à América do Norte?? É com esta sugestão que começam as aventuras e desventuras de quatro personagens: Che Guevara, Alberto Granado, o cão Come- back que nem chega a sair da Argentina, ficando em Córdoba sob a tutela de ?Chichina? Ferreyra que nessa altura era a namorada do Che e, a Poderosa II, uma velha e maltratada mota que prematuramente, antes mesmo de chegar a Santiago do Chile (cerca de um décimo do percurso previsto), se vai recusar a prosseguir, soltando um último ronco e aí terminar seus dias. A partir de então, o que deveria ser o relato da odisseia de ?dois vagabundos motorizados?, passa a ser a de ?dois vagabundos não motorizados...?, segundo as suas próprias palavras.Um grande espírito aventureiro, muito poder de sedução e de persuasão e escassos recursos financeiros, são o espólio e os argumentos com que os dois argentinos vão progredindo para o norte nem sempre pela via mais directa. O longo percurso é definido pela oportunidade de um destino ou pelo acaso de um eventual meio de transporte, o que por vezes acarreta estadas mais longas que o previsto. Para conseguirem um mínimo de condições que lhes permita ir sobrevivendo terão de aceitar trabalhos provisórios tais como motorista de camião, marinheiros, guardas, médicos e até lavadores de pratos ( ver ?Che Guevara, como se constrói uma lenda?, de Martin Ebon ).No entanto, nem as vicissitudes da viagem, nem a sistemática falta de meios económicos e muito menos os violentos crónicos ataques de asma de Che Guevara são motivo para desanimar os aventureiros ou tão pouco refrear o seu espírito de solidariedade, principalmente com os mais desprotegidos da sorte. São exemplos disso, a forma abnegada como se dedicam aos doentes da leprosaria de San Pablo situado na selva peruana, onde os leprosos constróem uma balsa e lhes oferecem ou o sentimento de revolta que expressam em relação ao modo como são tratados os mineiros chilenos nas minas de Chuquicamata. Aqui, é confrangedora a forma como descreve o conhecimento que trava com um casal em estado de extrema dificuldade para sobreviver e com quem dividem um dos dois únicos cobertores que possuem. A realidade ? geográfica, política, social, antropológica e até gastronómica - do continente sul americano no inicio dos anos 50, vai sendo registado em apontamentos salpicados algumas vezes de bom humor e muita jovialidade, outras com tristeza e indignação, pelo que viria a ser uma das mais emblemáticas, controversa e inconformadas personagens ( ou mito? ou lenda? ou herói? ) da América Latina no século XX, naquele que foi o seu primeiro périplo por esta portentosa região.
Disponível em:http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_46405.html.Acesso em:26/09/2011
De Moto Pela América do Sul - Diário de Viagem - 2ª Ed. 2003
Autor: Guevara, Ernesto Che
Editora: Sa Editora
Categoria: Literatura Estrangeira / Biografias e Memórias
Filme:
Título original: (The Motorcycle Diaries)
Lançamento: 2004 (EUA)
Direção: Walter Salles
Atores: Gael García Bernal, Susana Lanteri, Mía Maestro, Mercedes Morán.
Duração: 128 min
Gênero: Drama
Status: Arquivado
Contada quase sempre na primeira pessoa e em discurso indirecto, Ernesto (Che) Guevara, descreve em forma de apontamentos de viagem, a sua travessia da América do Sul numa motocicleta, durante aproximadamente os nove meses que irá decorrer esta sua primeira viagem fora da Argentina, ele irá não somente admirar as belas paisagens da região, mas também terá os primeiros contactos directos com a miséria dos seus habitantes. A acção decorre durante o ano de 1952 e ?Che? tem 23 anos quando começa a viagem. Irá festejar o 24º aniversário, a 14 de Junho, em plena selva peruana na companhia de um grupo de leprosos.Com descrições algumas vezes em tom jocoso, outras com apurado espirito critico, vamos acompanhando os aventureiros: um estudante de medicina e um bioquímico, na sua caminhada para o norte. Pelo Chile, Peru, Brasil (acidentalmente) , Colômbia e Venezuela, onde acaba a aventura para Alberto que aí se queda trabalhando por algum tempo. Já sem a companhia deste, Che Guevara consegue uma passagem de avião para Miami, onde acaba por ser preso e recambiado para a Argentina, ( ver ?Os meus anos com o Che, da Guatemala ao México? de Hilda Gadea).? E se fossemos à América do Norte?? É com esta sugestão que começam as aventuras e desventuras de quatro personagens: Che Guevara, Alberto Granado, o cão Come- back que nem chega a sair da Argentina, ficando em Córdoba sob a tutela de ?Chichina? Ferreyra que nessa altura era a namorada do Che e, a Poderosa II, uma velha e maltratada mota que prematuramente, antes mesmo de chegar a Santiago do Chile (cerca de um décimo do percurso previsto), se vai recusar a prosseguir, soltando um último ronco e aí terminar seus dias. A partir de então, o que deveria ser o relato da odisseia de ?dois vagabundos motorizados?, passa a ser a de ?dois vagabundos não motorizados...?, segundo as suas próprias palavras.Um grande espírito aventureiro, muito poder de sedução e de persuasão e escassos recursos financeiros, são o espólio e os argumentos com que os dois argentinos vão progredindo para o norte nem sempre pela via mais directa. O longo percurso é definido pela oportunidade de um destino ou pelo acaso de um eventual meio de transporte, o que por vezes acarreta estadas mais longas que o previsto. Para conseguirem um mínimo de condições que lhes permita ir sobrevivendo terão de aceitar trabalhos provisórios tais como motorista de camião, marinheiros, guardas, médicos e até lavadores de pratos ( ver ?Che Guevara, como se constrói uma lenda?, de Martin Ebon ).No entanto, nem as vicissitudes da viagem, nem a sistemática falta de meios económicos e muito menos os violentos crónicos ataques de asma de Che Guevara são motivo para desanimar os aventureiros ou tão pouco refrear o seu espírito de solidariedade, principalmente com os mais desprotegidos da sorte. São exemplos disso, a forma abnegada como se dedicam aos doentes da leprosaria de San Pablo situado na selva peruana, onde os leprosos constróem uma balsa e lhes oferecem ou o sentimento de revolta que expressam em relação ao modo como são tratados os mineiros chilenos nas minas de Chuquicamata. Aqui, é confrangedora a forma como descreve o conhecimento que trava com um casal em estado de extrema dificuldade para sobreviver e com quem dividem um dos dois únicos cobertores que possuem. A realidade ? geográfica, política, social, antropológica e até gastronómica - do continente sul americano no inicio dos anos 50, vai sendo registado em apontamentos salpicados algumas vezes de bom humor e muita jovialidade, outras com tristeza e indignação, pelo que viria a ser uma das mais emblemáticas, controversa e inconformadas personagens ( ou mito? ou lenda? ou herói? ) da América Latina no século XX, naquele que foi o seu primeiro périplo por esta portentosa região.
Disponível em:http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_46405.html.Acesso em:26/09/2011
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Ilhas Galápagos
O Equador é dividido em 4 regiões: a Amazônia, a leste; os Andes, na parte central de seu território, com inúmeros picos, alguns vulcões, e onde se localiza Quito, a capital; a Costa, a oeste, onde está Guayaquil, a maior cidade; e por último as Galapágos, no meio do Oceano Pacífico.
Abaixo, imagens de tartarugas gigantes, iguanas, piqueiros dos pés azuis, percurso de Charles Darwin e mapas das Galapágos.
Disponível em:http://turismo.culturamix.com/blog/wp-content/gallery/fotos-ilhas-galapagos/ilhas-galapagos-2.jpg. Acesso em:23/09/2011
Disponível em:http://www.ppvieira.blogger.com.br/Galapagos.gif. Acesso em:23/09/2011
Disponível em:http://ciencia.hsw.uol.com.br/ilhas-galapagos1.htm. Acesso em:23/09/2011
Disponível em:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1rgSNFiHlXwMRodx8ionpT2RKCd96du8OjPoavcFjVcD6b6-umGc0yUEkC5yxsWAvrRET6NWS59pSLtORaSvm36FHJwwOcFB0dWNhBtX9swGjat283eCn-JR4wAH_yvCTp-ih_ATSpW4/s1600-h/marine_iguana_beach%5B1%5D.jpg. Acesso em:23/09/2011
Disponível em:http://darwinhp.vilabol.uol.com.br/darwin.html. Acesso em:23/09/2011
Abaixo, imagens de tartarugas gigantes, iguanas, piqueiros dos pés azuis, percurso de Charles Darwin e mapas das Galapágos.
Disponível em:http://turismo.culturamix.com/blog/wp-content/gallery/fotos-ilhas-galapagos/ilhas-galapagos-2.jpg. Acesso em:23/09/2011
Disponível em:http://www.ppvieira.blogger.com.br/Galapagos.gif. Acesso em:23/09/2011
Disponível em:http://ciencia.hsw.uol.com.br/ilhas-galapagos1.htm. Acesso em:23/09/2011
Disponível em:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1rgSNFiHlXwMRodx8ionpT2RKCd96du8OjPoavcFjVcD6b6-umGc0yUEkC5yxsWAvrRET6NWS59pSLtORaSvm36FHJwwOcFB0dWNhBtX9swGjat283eCn-JR4wAH_yvCTp-ih_ATSpW4/s1600-h/marine_iguana_beach%5B1%5D.jpg. Acesso em:23/09/2011
Disponível em:http://darwinhp.vilabol.uol.com.br/darwin.html. Acesso em:23/09/2011
Geoglifos de Nazca
Disponível em:http://static.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/11/nazca-geoglifo.jpg. Acesso em:23/09/2011
Disponível em:http://blogdoplastico.com/wp-content/uploads/2010/02/mapa_nasca.jpg. Acesso em: 23/09/2011
Este talvez seja um dos maiores mistérios da humanidade, as Linhas de Nazca estão localizadas no Peru, em uma região de altiplanos que sofrem muito pouca ação do tempo como erosão e chuvas, e é por este motivo que as linhas foram conservadas por tanto tempo. Acredita-se que elas foram criadas entre os séculos VIII e III a.C., mas esta suposição não é confirmada por falta da evidências.
Algumas linhas não tem uma forma definida, outras são formas geométrica bem definidas, mas a atração do local são mesmo os desenhos em forma de animais, Macacos, Pássaros, Cães, Aranhas e algumas representações “humanoides”.
Não se sabe qual o motivo que levou os povos antigos daquela região a criar estas linhas, já que do solo não é possível ver nenhuma das figuras, somente sobrevoando o local, e também não existe um monte ou montanha que facilitasse a visualização quando não existiam máquinas voadoras.
Estudiosos de diversas áreas já se empenharam em tentar descobrir o significado destas linhas, uns afirmam que é algum tipo de horóscopo baseado nas constelações, os mais radicais afirma que são desenhos feitos para serem vistos por alienígenas, mas nenhuma conclusão se chegou e o mistério ainda persiste.
Disponível em:http://blogdoplastico.com/2010/02/17/as-linhas-de-nazca/. Acesso em:23/09/2011
Disponível em:http://blogdoplastico.com/wp-content/uploads/2010/02/mapa_nasca.jpg. Acesso em: 23/09/2011
Este talvez seja um dos maiores mistérios da humanidade, as Linhas de Nazca estão localizadas no Peru, em uma região de altiplanos que sofrem muito pouca ação do tempo como erosão e chuvas, e é por este motivo que as linhas foram conservadas por tanto tempo. Acredita-se que elas foram criadas entre os séculos VIII e III a.C., mas esta suposição não é confirmada por falta da evidências.
Algumas linhas não tem uma forma definida, outras são formas geométrica bem definidas, mas a atração do local são mesmo os desenhos em forma de animais, Macacos, Pássaros, Cães, Aranhas e algumas representações “humanoides”.
Não se sabe qual o motivo que levou os povos antigos daquela região a criar estas linhas, já que do solo não é possível ver nenhuma das figuras, somente sobrevoando o local, e também não existe um monte ou montanha que facilitasse a visualização quando não existiam máquinas voadoras.
Estudiosos de diversas áreas já se empenharam em tentar descobrir o significado destas linhas, uns afirmam que é algum tipo de horóscopo baseado nas constelações, os mais radicais afirma que são desenhos feitos para serem vistos por alienígenas, mas nenhuma conclusão se chegou e o mistério ainda persiste.
Disponível em:http://blogdoplastico.com/2010/02/17/as-linhas-de-nazca/. Acesso em:23/09/2011
Chichén Itzá
Uma das 7 maravilhas do mundo, está cidade arqueológica maia está localizada no estado mexicano de Yucatã. Destaque para a pirâmide de Kukulkan, na foto a seguir:
Disponível em:http://www.google.com.br/imgres?q=chich%C3%A9n+itz%C3%A1&hl=pt-BR&biw=772&bih=407&gbv=2&tbm=isch&tbnid=EKTmh4s7lrbqrM:&imgrefurl=http://www.knullen.com/gallery3/index.php/The-Wonderzz-of-the-World/Pyramid-of-Kukulkan-Chichen-Itza-Yucatan-Peninsula-Mexico-1617648148&docid=pnBepA0KOrnOZM&w=1600&h=1200&ei=iideTui2Jo65twfP7aClCw&zoom=1&iact=rc&dur=361&page=3&tbnh=109&tbnw=133&start=14&ndsp=8&ved=1t:429,r:0,s:14&tx=93&ty=72. Acesso em: 31/08/2011
Chichén Itzá (do iucateque: Chi'ch'èen Ìitsha) é uma cidade arqueológica maia localizada no estado mexicano de Iucatã que funcionou como centro político e económico da civilização maia. As várias estruturas – a pirâmide de Kukulkán, o Templo de Chac Mool, a Praça das Mil Colunas, e o Campo de Jogos dos Prisioneiros – podem ainda hoje ser admiradas e são demonstrativas de um extraordinário compromisso para com a composição e espaço arquitetónico. A pirâmide foi o último e, sem qualquer dúvida, o mais grandioso de todos os templos da civilização maia. O nome Chichén-Itzá tem raiz maia e significa "pessoas que vivem na beira da água". Estima-se que Chichén-Itzá foi fundada por volta dos anos 435 e 455 a.C. Foi declarada Património Mundial da Unesco em 1988.
Disponível em:http://pt.wikipedia.org/wiki/Chich%C3%A9n_Itz%C3%A1. Acesso em: 31/08/2011
Disponível em:http://www.google.com.br/imgres?q=chich%C3%A9n+itz%C3%A1&hl=pt-BR&biw=772&bih=407&gbv=2&tbm=isch&tbnid=EKTmh4s7lrbqrM:&imgrefurl=http://www.knullen.com/gallery3/index.php/The-Wonderzz-of-the-World/Pyramid-of-Kukulkan-Chichen-Itza-Yucatan-Peninsula-Mexico-1617648148&docid=pnBepA0KOrnOZM&w=1600&h=1200&ei=iideTui2Jo65twfP7aClCw&zoom=1&iact=rc&dur=361&page=3&tbnh=109&tbnw=133&start=14&ndsp=8&ved=1t:429,r:0,s:14&tx=93&ty=72. Acesso em: 31/08/2011
Chichén Itzá (do iucateque: Chi'ch'èen Ìitsha) é uma cidade arqueológica maia localizada no estado mexicano de Iucatã que funcionou como centro político e económico da civilização maia. As várias estruturas – a pirâmide de Kukulkán, o Templo de Chac Mool, a Praça das Mil Colunas, e o Campo de Jogos dos Prisioneiros – podem ainda hoje ser admiradas e são demonstrativas de um extraordinário compromisso para com a composição e espaço arquitetónico. A pirâmide foi o último e, sem qualquer dúvida, o mais grandioso de todos os templos da civilização maia. O nome Chichén-Itzá tem raiz maia e significa "pessoas que vivem na beira da água". Estima-se que Chichén-Itzá foi fundada por volta dos anos 435 e 455 a.C. Foi declarada Património Mundial da Unesco em 1988.
Disponível em:http://pt.wikipedia.org/wiki/Chich%C3%A9n_Itz%C3%A1. Acesso em: 31/08/2011
Machu Picchu
Disponível em:http://www.google.com.br/imgres?q=machu+picchu&num=10&um=1&hl=pt-BR&gbv=2&biw=772&bih=407&tbm=isch&tbnid=3lqO34v238oFuM:&imgrefurl=http://www.mundodastribos.com/lugares-turisticos-em-machu-picchu.html&docid=D5QYS918JP_vXM&w=1202&h=900&ei=pCheTqGXFdSgtweTvNmyCw&zoom=1&iact=hc&vpx=127&vpy=96&dur=355&hovh=188&hovw=252&tx=138&ty=149&sqi=2&page=1&tbnh=96&tbnw=129&start=0&ndsp=8&ved=1t:429,r:4,s:0. Acesso em 31/08/2011
Machu Picchu (em quíchua Machu Pikchu, "velha montanha"), também chamada "cidade perdida dos Incas",[1] é uma cidade pré-colombiana bem conservada, localizada no topo de uma montanha, a 2400 metros de altitude, no vale do rio Urubamba, atual Peru. Foi construída no século XV, sob as ordens de Pachacuti. O local é, provavelmente, o símbolo mais típico do Império Inca, quer devido à sua original localização e características geológicas, quer devido à sua descoberta tardia em 1911. Apenas cerca de 30% da cidade é de construção original, o restante foi reconstruído. As áreas reconstruídas são facilmente reconhecidas, pelo encaixe entre as pedras. A construção original é formada por pedras maiores, e com encaixes com pouco espaço entre as rochas.
Consta de duas grandes áreas: a agrícola formada principalmente por terraços e recintos de armazenagem de alimentos; e a outra urbana, na qual se destaca a zona sagrada com templos, praças e mausoléus reais.
A disposição dos prédios, a excelência do trabalho e o grande número de terraços para agricultura são impressionantes, destacando a grande capacidade daquela sociedade. No meio das montanhas, os templos, casas e cemitérios estão distribuídos de maneira organizada, abrindo ruas e aproveitando o espaço com escadarias. Segundo a histórica inca, tudo planejado para a passagem do deus sol.
O lugar foi elevado à categoria de Património mundial da UNESCO, tendo sido alvo de preocupações devido à interacção com o turismo por ser um dos pontos históricos mais visitados do Peru.
Há diversas teorias sobre a função de Machu Picchu, e a mais aceita afirma que foi um assentamento construído com o objetivo de supervisionar a economia das regiões conquistadas e com o propósito secreto de refugiar o soberano Inca e seu séquito mais próximo, no caso de ataque.
Pela obra humana e pela localização geográfica, Machu Picchu é considerada Patrimônio Mundial pela UNESCO.
Disponível em:http://pt.wikipedia.org/wiki/Machu_Picchu. Acesso em>31/08/2011
Carta do repórter Rodrigo Vianna ao sair da Globo em 2006
LEALDADE
Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.
Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.
Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".
Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.
Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.
Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!
Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".
Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.
Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.
Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira?"
Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?
Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?
Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!
Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.
Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.
Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).
O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!
Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!
Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?
E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.
E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...
E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.
Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!
Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?
Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?
O JN levou um furo, foi isso?
Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.
Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?
Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.
E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!
Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!
Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...
De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...
A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!
Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?
Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.
Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?
Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.
Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.
Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.
Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:
"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".
Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.
E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".
Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.
Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!
João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:
"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".
Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!
Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.
Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.
Mas, isso tudo tem pouca importância.
Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?
Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?
Depois, não sabem porque os protestantes crescem...
Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!
Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.
Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.
Foram quase doze anos de Globo.
Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.
Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.
Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...
Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.
Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.
Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.
Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.
Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.
Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...
1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.
2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.
Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.
Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.
Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!
Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.
Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).
Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.
Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.
Um beijo a todos.
Rodrigo Vianna.
Disponível em:http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1309377-EI6584,00.html. Acesso em: 23/09/2011
Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.
Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.
Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".
Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.
Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.
Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!
Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".
Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.
Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.
Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira?"
Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?
Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?
Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!
Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.
Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.
Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).
O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!
Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!
Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?
E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.
E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...
E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.
Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!
Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?
Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?
O JN levou um furo, foi isso?
Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.
Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?
Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.
E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!
Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!
Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...
De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...
A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!
Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?
Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.
Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?
Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.
Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.
Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.
Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:
"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".
Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.
E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".
Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.
Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!
João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:
"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".
Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!
Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.
Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.
Mas, isso tudo tem pouca importância.
Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?
Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?
Depois, não sabem porque os protestantes crescem...
Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!
Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.
Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.
Foram quase doze anos de Globo.
Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.
Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.
Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...
Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.
Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.
Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.
Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.
Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.
Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...
1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.
2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.
Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.
Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.
Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!
Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.
Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).
Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.
Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.
Um beijo a todos.
Rodrigo Vianna.
Disponível em:http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1309377-EI6584,00.html. Acesso em: 23/09/2011
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